É importante que se analise e se defenda a luta dos
estudantes na USP. É um reflexo da época em que estamos, onde diferentes
setores no mundo chegam ao seu limite, rompem as amarras sociais e agem no
sentido de transformar. Mas também é importante que se entenda o contexto
geral.
Os movimentos sociais
ocorrem como resposta a uma situação extrema a que está submetido determinado
setor. Essas situações se originam da etapa histórica na qual estamos, onde o
atual sistema econômico chega ao seu limite de reinvenção e não consegue mais
dar conta de satisfazer o mundo que ele mesmo criou. Tal momento passam todos
os sistemas econômicos sobre o qual a sociedade se organizou. Quase não há mais
espaço para reformas: o sistema não pode e não quer mais ceder em nenhuma
medida que signifique diminuição da taxa de lucro mundial, Na verdade, precisa
desesperadamente cortar direitos e benefícios afim de sobreviver. Sendo assim,
a luta na USP, a luta no Haiti, a luta em Belo Monte, as lutas no Oriente
Médio, o movimento Occupy Wall Street e suas ramificações, as diversas greves
de setores importantes que tivemos no último ano, a ocupação do R.U. na Ufscar,
são lutas específicas mas que cada vez mais expõe a necessidade de uma
transformação estrutural para se tentar alguma emancipação. Lutas típicas de
uma época que, mesmo nas derrotas, lutadores seguem mais fortes e convencidos
de que só a mobilização e solidariedade de classe é capaz de mudar alguma
coisa. As palavras ainda estão em poucas cabeças, mas intuitivamente o
verdadeiro inimigo vai se expondo.
Se a origem dos problemas culturais, pessoais, sociais,
políticos que temos é a mesma, se a luta é contra um inimigo comum, ela tem que
se dar de maneira organizada internacionalmente. Todos os setores que estão em
luta nesse momento precisam urgentemente conhecer e se juntar a luta nos outros
setores e países, afim de ter uma verdadeira força contra um sistema que está
muito bem organizado e possui uma defesa de mídia e militar muito forte e
centralizada. Esse é o processo fundamental das nossas gerações: organização da
luta em nível mundial, que procure uma transformação radical na raiz, no
sistema de produção da sociedade atual. O caos atual na economia não só é
estúpido mas também desnecessário. Para
que a maior parte da população finalmente tenha em mãos as ferramentas e o
trabalho, ela vai precisar voltar a se entender como um grupo mundial de seres
humanos numa luta em comum. Portanto, tão importante quanto apoiar a luta na
USP é apoiar a luta contra a Belo Monte, a luta contra as opressões, contra a
criminalização dos movimentos sociais e todas as outras lutas emancipatórias.
Para isso precisamos de muitas pessoas. Mais do que boas
intenções e sinceras preocupações, pessoas que ofereçam sua criatividade e
disposição militante para mudar tudo. Não é um projeto utópico. É um projeto
possível e consequência do movimento da história até aqui. Podemos ignorar esse
papel, mas inevitavelmente caíremos em outros que não nos convém.
Diga-se de passagem que a direção da luta revolucionária no
mundo, na minha opinião, cabe a classe operária. Sempre trabalhadores na
organização de trabalhadores, mas a etapa histórica que vivemos - e
considerando a origem desse setor do
proletariado - o coloca como
determinante nessa transformação. Fica pro próximo texto.
a luta contra o inimigo em comum não vai acontecer de forma organizada internacionalmente porque as pessoas envolvidas não vão se organizar, muito menos internacionalmente. Cada um está defendendo o seu, da mesma forma que o "inimigo" está. Maconheiro quer fumar maconha, trabalhador quer salário, cada estudante quer uma coisa diferente. Só tá o bafafá agora porque é com a USP e a mídia tá cobrindo. Já já acaba e tudo volta pro começo. Cada um defendendo o seu.
ResponderExcluire voce devia muda pro tumblr ou pro wordpress. isso aqui é horrível!
ResponderExcluireu acredito que um dia, provavelmente, a coisa vai ser organizada. mas, já vai ser o ser humano contra a necessidade humana. e, talvez, seja tarde demais. porque o ser humano é burro e corrompível, corrompido. é importante que existam pessoas como você, que acreditem. eu só não acredito que pela quantidade de pessoas capazes de acreditar e se mobilizar contra a massa detentora doa meios e do poder, numa visão maior, vá mudar alguma coisa tão cedo. e é uma pena, porque talvez realmente seja tarde demais quando realmente as pessoas acordem pra realidade. eu vejo o seu ponto desde o início e acredito nele, eu só não vejo a praticidade dele tão cedo. desculpa a sinceridade. =/ eu talvez não conheça ou não acredite o suficiente na história. talvez se as coisas hoje fossem diferentes em algum lugar do mundo, eu fosse mais crente na história. Talvez eu ainda seja nova demais ou ignorante demais, talvez eu ainda conheça pouco do mundo e da verdade. mas pelo pouco do que eu conheço, é nisso que acredito. e pelo que eu acredito, tenho bem pouca fé na humanidade e, prefiro fazer o que o posso pra fazer a minha própria existência miserável um pouco mais suportável. hipocrisia? pode ser. talvez eu esteja tentando pegar apenas aonde meu pequenino braço alcança. eu assumo as consequências de mais esse erro meu. mas eu sou apenas humana.
ResponderExcluira propósito, angelina, é juliana bicalho. nessas merdas de blogs que ficam marcadas pelo resto da vida das pessoas que não dominam essas tecnologias e simplesmente vão digitando o que pedem! =D
ResponderExcluir#)
dá um tempo!