quarta-feira, 9 de novembro de 2011

sobre a organização


É importante que se analise e se defenda a luta dos estudantes na USP. É um reflexo da época em que estamos, onde diferentes setores no mundo chegam ao seu limite, rompem as amarras sociais e agem no sentido de transformar. Mas também é importante que se entenda o contexto geral.
 Os movimentos sociais ocorrem como resposta a uma situação extrema a que está submetido determinado setor. Essas situações se originam da etapa histórica na qual estamos, onde o atual sistema econômico chega ao seu limite de reinvenção e não consegue mais dar conta de satisfazer o mundo que ele mesmo criou. Tal momento passam todos os sistemas econômicos sobre o qual a sociedade se organizou. Quase não há mais espaço para reformas: o sistema não pode e não quer mais ceder em nenhuma medida que signifique diminuição da taxa de lucro mundial, Na verdade, precisa desesperadamente cortar direitos e benefícios afim de sobreviver. Sendo assim, a luta na USP, a luta no Haiti, a luta em Belo Monte, as lutas no Oriente Médio, o movimento Occupy Wall Street e suas ramificações, as diversas greves de setores importantes que tivemos no último ano, a ocupação do R.U. na Ufscar, são lutas específicas mas que cada vez mais expõe a necessidade de uma transformação estrutural para se tentar alguma emancipação. Lutas típicas de uma época que, mesmo nas derrotas, lutadores seguem mais fortes e convencidos de que só a mobilização e solidariedade de classe é capaz de mudar alguma coisa. As palavras ainda estão em poucas cabeças, mas intuitivamente o verdadeiro inimigo vai se expondo.
Se a origem dos problemas culturais, pessoais, sociais, políticos que temos é a mesma, se a luta é contra um inimigo comum, ela tem que se dar de maneira organizada internacionalmente. Todos os setores que estão em luta nesse momento precisam urgentemente conhecer e se juntar a luta nos outros setores e países, afim de ter uma verdadeira força contra um sistema que está muito bem organizado e possui uma defesa de mídia e militar muito forte e centralizada. Esse é o processo fundamental das nossas gerações: organização da luta em nível mundial, que procure uma transformação radical na raiz, no sistema de produção da sociedade atual. O caos atual na economia não só é estúpido mas também desnecessário.  Para que a maior parte da população finalmente tenha em mãos as ferramentas e o trabalho, ela vai precisar voltar a se entender como um grupo mundial de seres humanos numa luta em comum. Portanto, tão importante quanto apoiar a luta na USP é apoiar a luta contra a Belo Monte, a luta contra as opressões, contra a criminalização dos movimentos sociais e todas as outras lutas emancipatórias.
Para isso precisamos de muitas pessoas. Mais do que boas intenções e sinceras preocupações, pessoas que ofereçam sua criatividade e disposição militante para mudar tudo. Não é um projeto utópico. É um projeto possível e consequência do movimento da história até aqui. Podemos ignorar esse papel, mas inevitavelmente caíremos em outros que não nos convém.
Diga-se de passagem que a direção da luta revolucionária no mundo, na minha opinião, cabe a classe operária. Sempre trabalhadores na organização de trabalhadores, mas a etapa histórica que vivemos - e considerando  a origem desse setor do proletariado -  o coloca como determinante nessa transformação. Fica pro próximo texto.